Recarga

Coquilhas, Viroladores, Retíficas e Martelos de Inércia.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Otimizando a Queima do Propelente no Calibre .38 SPL

O calibre .38 SPL apesar da adoção da pistolas no momento continua sendo um calibre muito popular no Brasil, sendo, um excelente revólver para todas as situações, ou seja, desde a prática desportiva até para a defesa pessoal, sendo uma arma muito versátil, possuindo diversos modelos e comprimentos de canos.  

No tocante a recarga, deve-se observar que o propelente utilizado na munição oriunda de fábrica não é o mesmo para a recarga, basta desmontar uma munição original para constatar a diferença.

Da muitas vezes que frequentei o stand com uso da minha munição recarregada com propelente 216 e 219, ambos da CBC verifiquei na bancada uma enorme quantidade do propelente não queimado e ficava intrigado e pensando que poderia ser excesso de carga ineficiência ou má qualidade do ignitor "espoleta" , principalmente com o uso da pólvora 216 que tem o tempo de queima mais rápido 0,32 milisegundos.

Estudando o assunto e analisando as características do estojo, munição montada e propelente, evidenciei uma nota fundamental que promovia a não queima do propelente integralmente e que gerava perda de energia termodinâmica e por consequência imprecisão partir de determinada distância.

Vejamos o esquema abaixo:   

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Em mais uma das sessões de recarga de arma curta "revólver" e longa "espingarda" lembrei da grande quantidade de pólvora sobre a bancada e fiquei analisando as munições dos dois tipos de armas, onde a diferença predominante sobre a questão estava apenas em uma ser raiada e outra de alma lisa, porém, o propelente do .38 SPL ficava solto dentro o estojo e no cartucho era concentrado no fundo do cartucho de forma uniforme pela bucha, fato que ocorria nesse último e que não acarretava qualquer intercorrência quando da queima no momento do disparo.

Dessa forma, a recarga do .38 SPL foi realizada inicialmente adicionando-se ao conjunto um pequena tampa de papelão para manter o propelente concentrado no fundo do estojo a impedir sua dispersão no espaço vazio do estojo e em seguida um chumaço de poly fill para retardar a dispersão durante a queima. Por se tratar de uma arma raiada a carga padrão de 3,9 grains de 216 foi reduzida em 10% para os primeiros tiros testes progredindo para as demais até atingir a carga padrão novamente e chegando até a carga de 4,2 grains de 216 CBC, evidenciando, que o fechamento foi realizado com crimp leve a evitar possível pico de pressão.



Os testes da recarga com a utilização da técnica supra aludida restaram frutíferos, ocasionando a queima total do propelente e melhora da precisão em distâncias mais longas.

Superada a questão de eventual pico de pressão ou qualquer intercorrência, foi substituído a tampa de papelão e o poly fill por uma bucha de EVA cortada no diâmetro de um estojo .40.


         
O aumento do diâmetro da bucha de EVA tem por finalidade proporcionar uma vedação do cano e para proteger a base do marcador a evitar possível chumbamento pelo aumento da força termodinâmica gerada pela queima do propelente, principalmente entre o tambor e o cone de forçamento da arma.



A fixação da bucha de EVA dentro do estojo deve ser realizada sem que a mesma seja prensada, bastando que encoste na pólvora e que fique espaço suficiente para que o marcador seja assentado no espaço restante, lembrando que a finalidade da bucha é manter acondicionada de forma uniforme a pólvora junto ao fundo do estojo e proporcionar um time para que ocorra a queima de forma uniforme e total.




           continua ....

Utilizando o poly fill




  

terça-feira, 14 de abril de 2015

Fechamento Estrela

Ferramentas para Fechamento Estrela de Cartuchos Usados - Dispensa o uso do Vincador. 

Os dois primeiros procedimentos podem ser feitos com a furadeira em rotação para melhor acabamento.



domingo, 5 de abril de 2015

As Causas e Efeitos do Desgaste do Cano da Arma “Erosão”


O desgaste da parte interna do cano da arma “campos e estrias” durante a queima é chamado de erosão. A primeira idéia provavelmente que provoca a erosão que vem a cabeça seria a causa da fricção da banda rotativa contra o cano a medida que o projétil se desloca através do raiamento da arma, mas, surpreendentemente isto não é o caso propriamente dito, principalmente com o uso de projéteis de chumbo.

Vejamos algumas das causas de erosão: (1) a superfície do cano se torna intensamente aquecida durante a queima do propelente e os gases quentes que aceleram o projétil aquecem os metais e o deslocamento limpa a superfície funcionando como uma lã ou esponja de aço; (2) o rápido aquecimento e arrefecimento do cano durante e entre as rodadas de tiros tende a enfraquecer o metal desenvolvendo pequenas fissuras superficiais; (3) Os gases quentes que escapa em torno da banda de rotação do projétil durante a queima funciona como jactos de alta velocidade, causando a lavagem e corte da superfície do cano, ou seja, o famigerado não selamento.

A erosão “desgaste ou abrasão” do cano da arma ocorre principalmente na origem da estrias “início” depois do cone de forçamento, ou seja, o ponto no furo da arma perto da culatra, onde começa estrias. Em armas de alma lisa o atrito do projétil é reduzido,visto,  que a velocidade inicial é diminuída.

A erosão também faz com que os topos dos campos do cano raiado se desgastem mais rápido do que o fundo das estrias, o que aumenta a quantidade de escape de gás passando pela banda rotativa para frente do projétil. Isso reduz ainda mais a pressão por trás do projétil e, assim, diminui a velocidade na boca do cano.

sábado, 4 de abril de 2015

O que significa GA marcado após o número.

12 GA - O que de fato significa esse tal GA depois do número????

O calibre de uma arma de fogo é uma unidade de medida utilizada para expressar o diâmetro do tambor e não do projétil. Calibre é comumente usado hoje em referência a espingardas. Calibre é abreviado "ga"., "Ga", ou "G". Espingardas não foram originalmente destinados a disparar projéteis sólidos, mas sim uma massa compressível de tiro, o diâmetro real do cano pode variar.

A câmara da arma é maior, para acomodar a espessura das paredes shotshell, e um "cone de forçamento" em frente da câmara reduz o diâmetro, até ao diâmetro do cano "alma". O cone de forçamento pode ser tão curto como uma fração de uma polegada, ou quatro centímetros em algumas armas. No final boca do cano, o estrangulador pode contrair ainda mais o cano, de modo que a medição do diâmetro do cano de uma espingarda não é um processo simples, uma vez que tem de ser feito da distância de cada extremidade.

Canos de espingarda normalmente são "overbored" ou "backbored", o que significa que a maior parte do cano (a partir do cone para forçar o estrangulamento) é ligeiramente maior devido as brocas usadas e desgastes na hora do usinamento. A redução de recuo é maior devido ao cano produzir uma aceleração mais lenta do tiro, e as melhorias de padronização devem-se ao diâmetro maior até a boca para constrição de estrangulamento, o que resulta em menos deformação do projétil, alinhamento do balote com objetivo de evitar o desvio tiro.

Agora vem a explicação do GA.

12 gauge ou calibre 12 é a medida usada para expressar a medida interna do cano. Converteu-se uma libra (453,6 g) de chumbo puro em 12 esferas de iguais peso e diâmetro. Se uma dessas esferas se encaixava perfeitamente num determinado cano, o calibre deste era "12". Estas esferas tinham 0,730 polegada de diâmetro, ou seja, 18,5 mm. De igual peso de chumbo (1 libra), foram feitas 16 esferas e chegou-se ao calibre 16, assim procedendo-se com os demais calibres, com exceção do 36, pois, segundo esse critério, seria o calibre 67. O calibre 36 corresponde, na realidade, a 0,410 polegada, ou seja, 10,414 mm.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Lubrificando os Projéteis

Depois de fabricada a cera adequada para a pressão que será empregada no calibre a ser utilizado, procede-se a lubrificação dos projéteis utilizando um lub-sizer, o qual calibra e ao mesmo tempo passa a cera lubrificante em bastão de venda comercial ou fabricada pelo próprio handloader, porém, esse equipamento tem custo elevado e para cada calibre a ser lubrificado/calibrado as peças internas devem ser trocadas.


Para facilitar a vida do atirador/handloader iniciante ou para quem não participa de competições ou frequenta o stand por diversas vezes ao mês, pode-se calibrar todos os projéteis e depois lubrica-los ou vice-versa de maneira bem simples e prática conforme segue:

Podendo, fabrique um espaçador em madeira, este facilitará a disposição e alinhamento de vários projéteis de uma só vez dentro da bandeja onde cera será lançada. 



A quantidade de projéteis a serrem lubrificados ficará a gosto do atirador/handloader. Pode ser usada bandeja descartável, plástica, de silicone ou mesmo de alumínio.


Bandeja de Silicone

Dispostos os marcadores na bandeja e aquecida a cera lubrificante até que fique líquida, despeje a cera dentro da bandeja até que cubra totalmente o sulco lubrificante do projétil.





Caso queira que a cera esfrie mais rapidamente, coloque a bandeja que contém os projéteis dentro de outra bandeja maior com água.

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Resfriamento
  
Aguarde a cera esfriar. Com o resfriamento da cera haverá a mudança da cor e as bordas vão se soltando das beiradas da bandeja. O ideal é colocar a mão e verificar se os projéteis estão mornos, fato que facilita a retirada dos mesmos.




Com o esfriamento da placa de cera contendo os projéteis basta efetuar o desmolde da bandeja com cuidado para que não ocorra a quebra.



  
Desmoldada a placa de cera, passe a retirar os projéteis apertando-os com a ponta do dedo ou com o auxílio de um lápis ou coisa do gênero. É uma boa medida não retirar o projétil de uma só vez empurrando-o para o lado contrário, mas, sim, pressiona-lo até que se solve e movimentá- lo para cima e para baixo, isso ajuda a fixar e preencher o sulco lubrificante, dessa forma, não ficam falhas.     








Com o resfriamento, caso a placa antes de ser retirada da bandeja "desmoldada" apresente trincas é demonstração que a cera está dura demais e inapropriada para sua destinação.

Desmoldados todos os projéteis, caso não tenham sido calibrados, basta passa-los pelo calibrador e efetuar a limpeza do excesso de cera. Um fio de silicone depois da retirada do excesso de cera ajuda a evitar a oxidação "escurecimento" dos marcadores. 



A sobra da cera se coloca na panela para derreter e faça novo bloco para guardar.


   
  
  


       

Cera Lubrificante

Tenho observado muitos atiradores/handloader fazerem menção que seus projéteis fundidos estão chumbando o cano e equivocadamente a grande maioria pensa que a problemática advém da liga metálica de chumbo no que toca a sua dureza brinell. 

Para pressões baixas e média "mid range" +P não se faz necessário projéteis com dureza excessiva, pois, calibre .38, .380, .45 etc a dureza da liga pode ser entre 12 a 18 brinell. Lembrando que dureza elevada da liga não obtura o cano a causar o famigerado chumbamento.

Outra questão relevante que os atiradores no Brasil não dão importância é a formulação da cera lubrificante e os seus efeitos e funcionabilidade quando do disparo, questões essas que foram abordadas de forma abundante no livro "Manual Básico para Fundição de Projéteis" em fase de finalização/editoração para lançamento, onde capítulo específico com mais de 50 folhas aborda o tema em todos os aspectos técnicos, inclusive, com ilustrações demonstrativas e uma variedade de receitas e suas aplicações.

Assim, projéteis oriundos de uma boa liga com dureza adequada para o calibre usado associados a uma cera lubrificante que irá atuar como coadjuvante obturador que proporcionará desempenho de 100% do tiro e perfeita aproveitamento da força termodinâmica (pressão, precisão e deslocamento interno do marcador sem imperfeições).

Regra de segurança básica: toda vez que for trabalhar com produtos químicos use máscara.  

Para o momento segue uma receita básica de cera lubrificante:

50% de cera de abelha;
40% de parafina (velas); 
10% de graxa grafitada para homocinéticas ou a Marfax; 
02 a 03 colheres de óleo lubrificante para veículos automotores ou óleo mineral; e 
Giz de cera 2 ou mais da cor que desejar ou pigmento para dar cor a cera.

As vezes um pouco de silicone em pasta dependendo do local o tempo sendo mais frio. Caso o local for muito frio use 20% de graxa e 30% de parafina. Obs.: no lugar da graxa pode ser adicionado vaselina industrial .

A cera de abelha, parafina, corante e óleo mineral são facilmente encontrados em casas de essências para perfumes.   


A dosagem acima indicadas serve para qualquer proporção a ser feita, servindo como base. Tomar cuidado com excesso de parafina e graxa ou óleo. Depois de pronta e resfriada a cera deve ser a textura de um chiclete mascado quando amassada.

Parafina pré-pigmentada

Para os que não tem experiência a melhor pedida é fazer a cera utilizando o método do "Banho Maria" para evitar que a mistura pegue fogo, faça fumaça ou que haja acidentes. O "Banho Maria" consiste em colocar água para ferver em uma panela e dentro dessa inserir outra panela menor onde será colocado os ingredientes para fabricação da cera para que derretam.   

O adequado é adquirir no comércio o jogo de panela que faça esse trabalho do "Banho Maria", pois, haverá maior segurança, visto, que o encaixe das panelas são apropriados.

Exemplo de Banho Maria

Coloque a cera de abelha para derreter em primeiro lugar, quando estiver em estado líquido adicione a parafina aos poucos até que fique em estado líquido e em seguida os demais ingredientes um de cada vez até que se dissolvam. Enquanto dissolve os elementos vá movimento a mistura para que a cera fique uniforme.  


Depois de pronta a cera caso não seja usada imediatamente deve ser colocada em qualquer forma com cuidado e esperar seu resfriamento.